“Homem-Aranha: Um Novo Dia”; Quando o básico do personagem é bem feito
- podcastdepoisdoscr
- 7 de ago.
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Por Willian Lira

Quatro anos após os eventos de “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”, Peter Parker vive completamente sozinho em uma Nova York onde ninguém mais lembra quem ele é. Sua vida é dedicada quase que inteiramente a ser o amigão da vizinhança, mas tamanha dedicação tem seu preço e Peter terá que lidar com transformações mentais e físicas enquanto uma nova e desconhecida ameaça surge.
Refletindo sobre essa recepção super positiva para com o filme, fico pensando em uma coisa: o quanto os fãs do cabeça de teia estavam carentes de ver o básico do personagem sendo retratado em tela.
A trilogia dirigida por Jon Watts, trazia um clima mais infantil e menos preocupado em explorar o lado mais humano e complexo de seu protagonista. Apesar de desgostar apenas de “Longe de Casa”, faltava um peso real para os dramas de Peter Parker. Uma queixa que foi ouvida e levada em consideração para a produção desta nova obra.
Dirigido por Destin Daniel Cretton (“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”), “Homem-Aranha: Um Novo Dia” se consagra como a melhor e mais madura entrada da saga do herói vivido por Tom Holland. Peter Parker vive um momento de grande conflito. Por um lado, o Homem-Aranha é amado por Nova York, por outro, o homem por trás da máscara vive solitário, nos cantos, espiando, como quem tem medo de se aproximar mas que, mesmo assim, quer chegar perto. Além de trabalhar o fato de que ser o Homem-Aranha é a “válvula de escape” dessa solidão, que mesmo assim é retratada em takes inspirados como aquele que mostra seu rosto por dentro da máscara e só ouvimos sua respiração.
Nisso, o longa lembra “Thunderbolts”, outro bom filme da Marvel que usa dos absurdos do seu universo para debater temáticas muito humanas. Em “Um Novo Dia”, a fuga dos problemas pessoais por meio do traje do herói cobra seu preço. O filme retrata de forma interessante como as mudanças físicas servem como um retrato do desgaste de Peter com a rotina intensa de herói. Como uma espécie de burnout com consequências sobre-humanas.
Assim como em “Homem-Aranha 2”, de Sam Raimi, o estresse de Peter afeta seus poderes de forma que eles somem, aqui, acontece o inverso e seus poderes se manifestam ao máximo de forma que mais atrapalha do que ajuda. Uma boa inspiração que, de formas inversas, comunicam a mesma coisa.
O diretor do filme entende a situação de seu personagem e trabalha de forma identificável, o que sempre foi uma marca desse personagem. Apesar de todas as super-habilidades, é na parte humana que mora o coração de uma boa história do Homem-Aranha. Você passa a torcer para que ele supere as dificuldades, algo que faltava nos filmes anteriores. Não só para Peter, mas para MJ (Zendaya) e Ned (Jacob Batalon), que mesmo aparecendo pouco possuem a melhor dinâmica de todas as aparições nos filmes, seja no humor ou nos momentos mais dramáticos.
Outra marca do herói são os momentos de ação e aqui o diretor entrega sequências que devem entrar para a lista de melhores do personagem. Há uma coreografia e um jogo de câmeras que busca explorar o melhor dos movimentos do herói. Destaque para a cena da perseguição do tanque e da luta contra o grupo Tentáculo. Os clássicos balanços de teias (ou web swings) são realizados com um carinho de alguém que realmente gosta do personagem, além de prestar homenagens a momentos dos filmes de Tobey Maguire e Andrew Garfield. É um trabalho inspirado, que reconhece e referência obras anteriores, capaz de deixar qualquer fã deslumbrado.
Além dos personagens que retornam dos filmes anteriores, temos aqui a volta de Jon Bernthal como Frank Castle, o Justiceiro, e Mark Ruffalo como Bruce Banner/Hulk. Foi uma maravilha ver Homem-Aranha e Justiceiro em tela, pois os intérpretes possuem uma grande química e a dinâmica proporciona algumas das melhores piadas do filme. Já Ruffalo aparece bem menos, cumpre uma função menor, mas marca graças a cena do Hulk que é um ótimo momento envolvendo o personagem.
Já a personagem misteriosa interpretada por Sadie Sink (que a essa altura do campeonato, todo mundo deve saber sua identidade) é um ponto interessante graças a sua origem e como sua história se parece com a de Peter. A atriz entrega uma boa atuação trazendo em seu olhar um misto de raiva e tristeza que fazem a gente lembrar sempre do que ela é capaz.
Nem tudo são flores. Senti falta de um maior desenvolvimento na rotina do Peter quando não está atuando como herói, até para justificar de onde ele tirou tantos aparelhos tecnológicos. Apesar de ser um filme cujo drama principal é do Peter Parker, o longa cai um pouco quando precisa focar no Universo Marvel em geral e encontrar formas de “vender o peixe” para o futuro do mesmo. A Marvel parece incapaz de focar 100% na história que está sendo contada agora, sempre precisa chamar a atenção para posterior.
Por falar em posterior, o filme possui uma cena pós-créditos que fica lá no finalzinho de tudo e a espera não vale a pena.
“Homem-Aranha: Um Novo Dia” traz uma nova, madura e revigorante abordagem para o personagem. O filme sabe quando ser dramático, emocionante e engraçado, além de possuir sequências de ação que são um grande destaque. Finalmente entrega o que os fãs do personagem pedem há anos para essa versão. É bem dirigido, respeitoso e extremamente divertido.
Nota: 8.




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