7 artistas da música brasileira diferentes e subestimados
- podcastdepoisdoscr
- 4 de abr.
- 5 min de leitura
Por: Daniel Teixeira

Quando se fala em músicos brasileiros bons e com personalidade, quase sempre são citados os mesmos nomes, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ney Matogrosso e etc. Mas existem nomes que nem sempre são citados, e é por isso que resolvemos fazer esse top 7. Essa lista não vai necessariamente apresentar do pior ao melhor, o objetivo é trazer recomendações de artistas que talvez você não conheça, mas são uma boa pedida se você estiver buscando ouvir algo bom, diferente do comum e fora do mainstream.
7: Ava Rocha

Tem uma estética meio caótica, quase teatral, como se cada música fosse mais uma experiência do que só uma canção pra ouvir distraído. Não é fácil de encaixar em rótulo nenhum, que é algo que vai se repetir nos outros nomes ao longo dessa lista e talvez seja por isso que muita gente nem chegue nesses artistas. Mas quando você entra na proposta, percebe que tem muita personalidade ali, coisa que falta em muitos artistas mais famosos. Uma mistura de gêneros musicais e estética, é o tipo de artista que se fosse gringa seria ainda mais valorizada no Brasil . Além de cantora e compositora, ela também é cineasta.
6: Negro Leo

Esse aqui realmente não faz questão de ser acessível. O som parece bagunçado de primeira, meio improvisado, às vezes até desconfortável. Só que não é aleatório, tem ideia, tem conceito, tem provocação. É o tipo de artista que, ou você acha genial ou não aguenta ouvir dois minutos, e isso por si só já diz bastante sobre ele. Esse realmente não é pra qualquer um, mas se você gosta de uma pegada meio psicodélica e experimental, ele é o cara certo. Menção honrosa a banda “Metá Metá”, que se apresentou junto com Negro Leo no “Tiny Desk Brasil”, no final de 2025.
5: Kiko Dinucci

Mistura samba, punk, ruído, influência africana, tudo ao mesmo tempo. Não é um som “padrão” no sentido de ser tradicional, mas é muito vivo e brasileiro. Ele pega elementos que todo mundo conhece e desmonta de um jeito meio agressivo, criando algo que soa novo sem precisar parecer artificial. Mais uma vez citando o trio “Metá Metá”, ele é um dos integrantes e na banda também contribui com seu estilo único de fazer música. Além de ser artista plástico e cineasta, Kiko Dinucci se consagra como um verdadeiro artista cheio de personalidade e misturas.
4: Itamar Assumpção

Um dos nomes mais importantes da cena independente e alternativa de São Paulo e, mesmo assim, ainda meio ignorado fora de certos círculos. As letras são afiadas, cheias de ironia, e o som foge do padrão sem perder identidade, muito pelo contrário, além de muita personalidade nas músicas ele também era autêntico no estilo e no seu jeito de se apresentar. Muita gente que veio depois, bebeu dessa fonte, mas nem sempre reconhece. Além de músico, cantor e compositor, ele também era poeta e escritor, mas seus livros só foram publicados recentemente de forma póstuma, já que Itamar, infelizmente, faleceu em 2003.
3: Tom Zé

Enquanto a maioria lembra de Caetano Veloso e Gilberto Gil quando fala de Tropicália, Tom Zé acabou ficando meio de lado, mesmo sendo talvez o mais inventivo de todos e tendo um título não oficial de ser o mais tropicalista entre os tropicalistas. Ele brinca com estrutura, com som, com letra, de um jeito que às vezes parece estranho, mas é justamente aí que mora a genialidade. Na época da ditadura militar no Brasil, Tom Zé chegou a ser preso, mas diferente de Caetano e Gil, não foi exilado fora do país. Porém, Tom teve seu trabalho pouco difundido comercialmente, com o declínio de seu álbum Todos os Olhos (1973) e a falta de shows no Rio de Janeiro de 1969 até 1993, esse talvez sendo um dos motivos de não ser tão reconhecido como outros nomes da MPB da época.
2: Serguei

Mais do que música, Serguei era uma figura, quase um personagem. Um dos primeiros a viver o rock no Brasil sem filtro, sem tentar se adaptar demais. Um dos precursores do movimento hippie no Brasil e do estilo andrógeno, e auto declarado pansexual. Mesmo não tendo alcançado um grande sucesso comercial, ele é tido como uma lenda do rock nacional que muitas vezes é injustamente esquecido. Não é sobre técnica vocal ou perfeição, é sobre presença, atitude e estilo. Ele abriu caminho trazendo coisas novas pra época, coisas que ninguém fazia ainda, e hoje são quase que algo comum. Serguei infelizmente nos deixou em junho de 2019, mas para os fãs, seu legado é e sempre será eterno. Acho que todos dessa lista merecem ter sua trajetória pesquisada por você que está lendo, mas em especial, o Serguei, e o próximo e último nome da nossa lista. Suas vidas facilmente dariam um filme.
1: Júpiter Maçã (ou Jupiter Apple)

Talvez o melhor exemplo de artista incompreendido por aqui. Misturava psicodelia, influência dos Beatles, Mutantes, Caetano Veloso e outros artistas e diversas outras técnicas bem próprias, tudo com uma identidade muito forte. Não é o tipo de som que agrada de cara, mas quando você se acostuma, percebe o nível de criatividade. Foi o fundador das bandas TNT e Os Cascavelletes, que influenciaram toda uma nova geração de bandas gaúchas dos anos 80 em diante. É daqueles que poderiam ter sido muito maiores se o contexto e o país fosse outro, e mais um que se fosse gringo, o mundo iria idolatrar. Um dos artistas mais autênticos e cheios de personalidade que eu já vi, que infelizmente nos deixou em dezembro de 2015. Mas eu tenho certeza que, daqui uns 30 anos, algum adolescente aleatório vai ouvir falar dele, e se perguntar por que dele não ter tanto reconhecimento, igual eu me perguntei há um tempo atrás.
Conclusão
Fazendo essa pesquisa eu percebi o tanto que a classe artística é mais densa do que parece. A maioria deles faz duas ou mais coisas, nenhum foca em uma coisa só. Eles compõem, cantam, escrevem, atuam, dirigem, produzem e ainda se ajudam, colaborando em projetos uns dos outros, fortalecendo assim os vínculos entre eles e a classe artística.
Alguns desses artistas morreram sem ver sua arte ser reconhecida pelo grande público, o que é uma pena. Isso nos faz pensar sobre a possibilidade de dar valor àqueles que ainda estão em vida. E a divulgação de artistas pouco conhecidos e que você considere bons, independente se ser atual ou mais antigo, pode ser de grande ajuda para eles e até para o seu convívio social, trazendo coisas novas para seus amigos e familiares. Tente sair da mesmice e consuma artistas independentes e com poucas views, às vezes eles conversam melhor com a sua vivência do que uma Taylor Swift da vida.




Comentários