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“You Can See Everything”: o documentário sobre Elizabeth Holmes que está conquistando o público

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há 5 dias
5 min de leitura

Por Willian Lira

Imagem: Reprodução
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Nos últimos meses, uma produção da A24 vem ganhando cada vez mais destaque nas conversas virtuais. Tudo começou com o lançamento de um teaser um tanto quanto estranho, que despertou a curiosidade da internet. A obra em questão é “You Can See Everything”, um documentário de quase três horas que acompanha Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos e uma das figuras mais controversas dos últimos tempos.


O longa já estreou nos Estados Unidos e vem conquistando o público e a crítica, chamando a atenção principalmente pela maneira como aborda a intimidade de uma personalidade tão polêmica. Por isso, preparei este texto para apresentar um pouco da produção e relembrar a história que a tornou possível.


Elizabeth Holmes

Imagem: Reprodução
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Elizabeth Holmes é uma ex-empresária do setor de biotecnologia que, aos 19 anos, fundou a Theranos, empresa que prometia revolucionar a indústria médica. A proposta era desenvolver a Edison, uma máquina capaz de realizar diversos exames a partir de uma única gota de sangue, com resultados rápidos e sem a necessidade de grandes coletas.


A promessa atraiu investidores e transformou Holmes em uma das figuras mais conhecidas do Vale do Silício. Em 2015, a Theranos chegou a ser avaliada em US$ 9 bilhões, enquanto sua fundadora foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time.


No entanto, o auge da empresa deu lugar à queda no mesmo ano. Uma investigação publicada pelo The Wall Street Journal revelou problemas na confiabilidade dos métodos utilizados pelo laboratório, trazendo à tona uma série de questionamentos sobre a eficácia da tecnologia e possíveis fraudes. O equipamento que prometia realizar diversos exames com uma gota de sangue não era capaz de cumprir o que anunciava e, mais grave ainda, fornecia resultados imprecisos em testes médicos importantes.


A farsa veio à tona e desencadeou uma série de consequências para a empresa e seus responsáveis. Em 2018, Elizabeth Holmes e Ramesh “Sunny” Balwani, seu principal parceiro de negócios e ex-executivo da Theranos, foram acusados de fraude em um caso que envolvia investidores e pacientes. Ambos foram processados por fazerem falsas alegações sobre as capacidades da tecnologia desenvolvida pela empresa.


Em janeiro de 2022, Holmes foi considerada culpada de quatro das 11 acusações de fraude e conspiração apresentadas contra ela. A empresária acabou condenada a 11 anos de prisão, encerrando uma trajetória marcada pela ascensão meteórica e pelo colapso de uma das promessas mais controversas do Vale do Silício.


Nathan Fielder e o documentário

Imagem: Reprodução
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Nathan Fielder é um roteirista, diretor e humorista canadense conhecido pelas séries Nathan For You e O Ensaio. Seus trabalhos se destacam pela sátira, pelo humor surreal e pela maneira como misturam realidade e ficção, criando situações que frequentemente provocam desconforto e deixam o público em dúvida sobre o que está acontecendo diante das câmeras.


A relação de Fielder com a história de Elizabeth Holmes começou a ganhar forma em 2023, quando uma equipe de filmagem foi convidada a registrar a rotina da empresária nos 34 dias que antecederam sua prisão, em maio daquele ano. O projeto acompanhou seu cotidiano, explorou momentos de sua intimidade e reuniu relatos relacionados ao caso que a levou à condenação.


A produção permaneceu em segredo até setembro de 2026, quando foi exibida no Festival de Cinema de Telluride e teve seu primeiro teaser divulgado pela A24. Além de Fielder, o longa é codirigido por Lance Oppenheim (“Primetime”).


A repercussão veio, em parte, da proposta de acompanhar de perto uma figura tão controversa. Em diálogos nos quais o público nem sempre consegue distinguir sinceridade de encenação, Holmes parece transitar entre a exposição de sua vida pessoal e a construção de uma imagem capaz de influenciar a maneira como é percebida. A dúvida que permanece é justamente uma das questões centrais da produção: até que ponto ela está sendo espontânea ou tentando reconstruir sua própria imagem?


Em entrevista à revista norte-americana Wired, Fielder explicou que se envolveu no projeto depois de descobrir que Holmes e seu companheiro, Billy Evans, haviam tentado apresentar um documentário sobre ela à A24, mas não tiveram sucesso.


“Meses depois, fiquei sabendo disso. Então liguei para a A24 e perguntei: 'Será que eu poderia conhecê-la?' Foi assim que tudo começou”, contou o diretor.


Billy Evans comentou a participação do casal no projeto. Em uma entrevista ao podcast All-In, realizada um dia antes da estreia de You Can See Everything nos cinemas, ele explicou que a decisão de permitir que Fielder e Oppenheim entrassem em sua casa estava relacionada ao desejo de apresentar Holmes ao público de maneira mais próxima, deixando que cada pessoa tirasse suas próprias conclusões sobre quem ela realmente é.


A relação entre o diretor e sua protagonista, porém, não se limitou ao período das gravações. Em uma nova entrevista à Wired, Fielder revelou que recebeu uma ligação de Holmes, diretamente da prisão, pouco antes do lançamento do documentário nos cinemas. A conversa marcou o primeiro contato entre os dois em seis meses.


“Ela não me ligava há mais de seis meses. Eu não tinha notícias dela de jeito nenhum. Ela perguntou como eu estava”, relatou Fielder. “Perguntei se ela tinha visto algo sobre o filme e o que achava. Ela me disse que tinha visto algumas coisas, mas que a maioria ela não tinha visto. E aí, no final, ela me disse: 'Confio em você'. Eu disse: 'OK, obrigado'.”


O relato acrescenta mais uma camada de complexidade à relação entre o cineasta e a empresária. Afinal, em uma produção que coloca em dúvida a imagem construída por Holmes, a confiança depositada no diretor também desperta questionamentos sobre os limites entre a observação documental e a relação pessoal estabelecida durante as filmagens.


Repercussão

Imagem: Reprodução
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Lançado nos Estados Unidos em 16 de outubro de 2026, You Can See Everything vem apresentando números expressivos de aprovação. O documentário registra 98% de aprovação da crítica e 97% do público no Rotten Tomatoes, além de nota 9,4 no IMDb e 4,7 no Letterboxd, posicionando-se entre as produções mais bem avaliadas da plataforma.


O desempenho também se refletiu nas bilheterias. Em seu fim de semana de estreia nos Estados Unidos, o longa arrecadou US$ 15 milhões, mesmo em lançamento limitado a 855 cinemas. O resultado representa a maior estreia de um documentário desde o filme-concerto do One Direction, dirigido por Morgan Spurlock e lançado em 2013. Se forem desconsiderados os documentários musicais, o marco remonta a Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, lançado em 2004.


Com a temporada de premiações se aproximando, a A24 também planeja uma campanha ambiciosa para o Oscar, buscando ampliar a presença do documentário na disputa. De acordo com o site de premiações do estúdio, a produção será considerada em diversas categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz Coadjuvante (cuja presença no longa é um grande spoiler), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Montagem, Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora.


Apesar da repercussão internacional, ainda não há previsão de estreia de You Can See Everything no Brasil. Segundo o site norte-americano Deadline, a Sony Pictures será responsável pela distribuição do longa na América Latina. Até o momento, porém, não há confirmação se a produção chegará às salas de cinema ou será disponibilizada diretamente em alguma plataforma de streaming.


Enquanto o documentário conquista o público, Elizabeth Holmes segue cumprindo sua pena em uma prisão federal de segurança mínima em Bryan, no Texas. Segundo a ABC News, ela deverá ser transferida, em agosto de 2027, para o Centro de Transição de Austin, também no Texas, onde terá acesso a mais oportunidades de emprego, aconselhamento e visitas, permanecendo sob supervisão federal.


A previsão atual é que Holmes seja libertada em 22 de fevereiro de 2030. Até lá, sua história continua despertando interesse não apenas pelo escândalo que levou ao colapso da Theranos, mas também pelas questões que levanta sobre ambição, manipulação e a construção de figuras públicas. Com You Can See Everything, essa trajetória ganha um novo capítulo, agora sob o olhar de um cineasta conhecido por desafiar as fronteiras entre realidade e performance.


 
 
 

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