Euphoria perdeu sua essência? As mudanças, perdas e desconexões que transformaram a série
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- há 7 dias
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Por Giovanna Beserra

A série Euphoria surgiu como uma das produções mais marcantes da HBO nos últimos anos. Criada por Sam Levinson e inspirada na série israelense de mesmo nome, a obra foi lançada em 2019 com uma proposta muito clara: retratar os excessos, os conflitos emocionais e os vazios enfrentados por uma geração marcada pela ansiedade, dependência emocional, vícios e pela dificuldade de criar relações saudáveis.
Desde o início, a série chamou atenção pela estética forte, pela linguagem visual intensa e pela forma como desenvolvia os personagens. A primeira temporada conseguiu equilibrar impacto visual com profundidade narrativa. Cada personagem possuía uma construção própria, com histórias que se conectavam emocionalmente ao público. A trilha sonora produzida por Labrinth também teve um papel importante nesse processo, ajudando a criar identidade para a série e fortalecendo momentos dramáticos que se tornaram marcantes para os fãs.
No entanto, ao longo dos anos, Euphoria começou a enfrentar mudanças internas que afetaram diretamente a percepção do público sobre a obra. O longo intervalo entre temporadas, os conflitos criativos nos bastidores e as perdas dentro do elenco contribuíram para uma sensação de ruptura entre aquilo que a série apresentou no início e aquilo que passou a entregar posteriormente.
Uma das perdas mais impactantes foi a morte de Angus Cloud, intérprete de Fezco, personagem que havia se tornado um dos mais queridos da série. Além disso, também tivemos a perda de Eric Dane, ator responsável por interpretar Cal Jacobs, pai de Nate. A saída e ausência de personagens importantes acabaram impactando diretamente a continuidade emocional da narrativa. Paralelamente, outros personagens perderam espaço dentro da história ou passaram a ter desenvolvimentos considerados superficiais pelo público.
Também houve mudanças na construção estética e sonora da série. Labrinth, responsável por uma das trilhas mais conhecidas da televisão recente, deixou de participar da nova fase da produção após divergências criativas. A ausência do artista foi percebida imediatamente pelos espectadores, já que a música fazia parte da identidade emocional da série.
O problema principal não está no fato da série mostrar consequências duras. Na verdade, isso sempre fez parte da proposta de Euphoria. Desde o início, a série deixou claro que aqueles personagens estavam caminhando para situações cada vez mais destrutivas. O que está acontecendo agora faz sentido dentro da realidade construída pela própria obra: relações destruídas, vidas desorganizadas, dependência emocional, uso de drogas, violência psicológica e pessoas completamente perdidas emocionalmente.
A questão é que o público sente dificuldade em acompanhar tudo isso porque a narrativa passou a apresentar muitos acontecimentos ao mesmo tempo, sem desenvolver vários deles da maneira necessária. Diferente das primeiras temporadas, em que os conflitos eram construídos com mais calma e profundidade, os episódios atuais parecem carregar um peso constante, com acontecimentos extremamente intensos acontecendo de forma acelerada.
Isso faz com que a série se torne mais cansativa emocionalmente. Muitos espectadores relatam a sensação de assistir episódios pesados do início ao fim, sem os momentos de respiro emocional que antes ajudavam a equilibrar a narrativa. Além disso, vários acontecimentos importantes parecem não receber o aprofundamento necessário, principalmente considerando que a história já está caminhando para o encerramento.
Outro ponto que gera críticas frequentes é a sensação de desconexão entre temporadas. Em alguns momentos, parece que os personagens perderam parte da complexidade construída anteriormente. Muitos episódios priorizam impacto visual, nudez e cenas longas que nem sempre contribuem diretamente para o desenvolvimento da história. Enquanto isso, conflitos importantes acabam sendo tratados de maneira rápida ou superficial.
Euphoria continua sendo uma série relevante dentro da televisão contemporânea e seu impacto cultural ainda é forte. A obra influenciou estética, comportamento e discussões sobre juventude de maneira significativa nos últimos anos. Porém, ao mesmo tempo, a trajetória recente da série também levanta uma discussão importante sobre os desafios de manter coerência narrativa em produções que crescem rapidamente e se tornam fenômenos globais.
No caso de Euphoria, a crítica do público não acontece porque a série ficou mais pesada. A própria essência da obra sempre foi desconfortável. O questionamento principal está na maneira como tudo isso passou a ser conduzido. Existe uma sensação crescente de que a série perdeu parte da conexão emocional que tinha no começo e passou a priorizar excesso e impacto visual sem desenvolver, na mesma proporção, os próprios personagens e suas histórias.




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